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| Manifestação contra aumento das passagens em diversas capitais do país. |
Quem costuma andar nas grandes cidades já tem percebido a algum tempo, precisamente este ano, com manifestações de ordem política e por que não dizer social?
Talvez, influenciados pela primavera árabe (particularmente acho um estereótipo esta expressão recheado de preconceito ocidental, mas isto é outra história), ou talvez influenciado por este período atípico onde o Brasil se encaminha para o centro das atenções seja no cenário esportivo, financeiro e político... principalmente pelo esportivo, ou ainda pelo despertar tardio de um marasmo político de uma parte da sociedade, sendo influenciado pelas mídias, mesmo de forma indireta (Reportagens enaltecendo a força dos povos árabes lutando contra tirania de seus governos, ou filmes como "V de vingança"), enfim o fato é que a juventude (pequena parte diga-se de passagem) conseguiu se despreender do Facebook e voltar para as ruas, a questionar, a reivindicar e a protestar.
Pode ser até uma modinha, mas o protesto voltou a ser considerado como uma opção da população para divulgar suas ideias, uma vez que a grande imprensa filtra de maneira cabulosa seus assuntos, ora existem muitas coisas acontecendo que o resto da cidade desconhece, e desconhece porque? Por que a imprensa não noticia, ora se a imprensa não cumpre o seu papel, cabe ao povo fazê-lo, mas como? Se precisamos trabalhar, as respostas vieram das universidades, mas uma vez a sociedade precisa dos estudantes assumirem a posição de porta voz. Mas é aqui que a maioria não consegue entender como este fluxo não é lógico como um fluxograma administrativo ou qualquer pretensão matemática de representação. Os estudantes representam uma outra "classe" da população e possuem uma visão de mundo diferenciada e por isso sua forma de divulgar o seu conteúdo não serão integralmente assimilados, estes estudantes possuem uma bagagem cultural questionadora que não pode se limitar às regras pré existentes (não falo de leis), portanto é normal subtender que nesta representação o discurso não será o mesmo que o da sociedade.
Ouvindo hoje, uma opinião de um âncora da rádio bandeirantes, onde o mesmo apoiava a manifestação e repudiava alguma atitudes vândalas na mesma, elucidava à sua audiência que o movimento de manifestantes requeria em seu discurso pontos de que não era de total consenso da população, pois o movimento buscava a gratuidade da passagem e não apenas sua redução, mas assim como a população criticava a qualidade do serviço de transporte.
Ora, se pensarmos bem sobre este ponto, aonde podemos chegar? Que o movimento estudantil ou qualquer que seja, não representa a população, apenas o faz em alguns pontos. Eu particularmente iria mais longe, este grupo não representa ninguém, pois o serviço de transporte não está do jeito que está desde Janeiro e mesmo que a população concorde com esta crítica, ninguém se mobilizou a questionar, o nosso cultural "quem cala consente", portanto se assim continuarmos chegamos a uma aporia, que é: toda revolução/manifestação para ser seriamente considerada precisa de apoio popular. Como saimos daqui?
O caminho mais fácil é flexibilizar as reivindicações ao que seria facilmente apoiado pela população, um segundo caminho seria sensibilizar mais a sociedade, no entanto sem a ajuda da imprensa, que ignora estes movimentos desde Janeiro, se torna um desafio hercúleo, por isso (vejo assim) os esforços do vandalismo em chamar atenção da impresna e consequentemente mobilizar a sociedade, que acaba virando um tiro pela culatra (com o perdão do clichê). Sobra o caminho mais moroso, divulgar, divulgar e divulgar, mostrar que as manifestações não são modinhas e que são ferramentas necessárias e importantes para um povo que não estuda e não conhece política e possui o poder nas mãos e entrega para alguém que nem conhece a cada 2 anos.
Diferente dos orientais, parece que nossa sociedade continua dormindo em assuntos políticos e como Iverno tropical não soa bem, precisamos de um despertar vespertino.


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